RJ deixa de entregar 53% dos leitos prometidos; novas vagas poderiam zerar a fila de espera por internação

O Governo do Estado do Rio de Janeiro deixou de entregar 53,6% dos leitos prometidos pelo governador em exercício Cláudio Castro (PSC), durante um evento no dia 25 de março, como mostrou o RJ2 nesta terça-feira (13).

São menos 504 leitos hospitalares, que se estivessem funcionando poderiam zerar a fila de espera por vaga nos hospitais da Rede SUS do Rio de Janeiro.

Atualmente, a fila de espera por leitos de UTI e enfermaria no estado conta com 399 pessoas.

No dia do anúncio, o governador em exercício disse que o estado passaria a administrar 560 leitos nos hospitais federais, mais 200 vagas na rede estadual e outras 180 em hospitais particulares – estes contratados via chamamento público.

No total, seriam mais 940 leitos para pacientes com Covid.

“Teremos mais 560 leitos que com certeza farão que a nossa taxa de ocupação baixe bastante ao longo da próxima semana. A gente tem uma perspectiva também até o final da semana que vem na casa de 200 leitos estaduais a mais que também vai baixar mais ainda. (…) Parece que a partir de segunda-feira mais de 180 leitos da rede privada”, anunciou Cláudio Castro no dia 25 de março.

O prazo dado por Castro terminou no último dia 3 de março.

Secretário culpa o Ministério da Saúde

Nesta terça-feira (13), o secretário estadual de saúde, Carlos Alberto Chaves, decidiu fazer um balanço dos novos leitos de Covid no Rio de Janeiro.

De acordo com ele, os leitos que ainda não foram abertos seriam de responsabilidade do Governo Federal.

“Esses eram os leitos que diziam que iam abrir. Que não foram abertos. Que não foram cedidos. Tá aqui, 248”, disse o secretário.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, até o momento o Governo Federal só criou 156 leitos, dos 560 anunciados pelo governador do Rio.

São menos 404 leitos que poderiam ajudar a salvar vidas de pacientes com Covid.

Governador Cláudio Castro (esquerda) e secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves (arquivo) — Foto: Reprodução

Governador Cláudio Castro (esquerda) e secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves (arquivo) — Foto: Reprodução

Perguntado por que o governo anunciou um número de leitos que não conseguiu entregar, o secretário respondeu que a pergunta deveria ser feita ao Ministério da Saúde.

“Eu acredito no ser humano. Você não vai me jogar contra o ministério, contra o estado e contra os municípios. Eu trabalho. Então perguntem aos órgãos, perguntem ao município. Não pergunte a mim”, disse o secretário.

A reportagem do RJ2 entrou em contato com Ministério da Saúde sobre novos leitos no Rio de Janeiro.

Em nota, o ministério disse que abriu mais de 200 leitos de UTI e enfermaria no estado. Contudo, o governo federal não revelou quando os leitos foram abertos e nem em quais unidades de saúde.

Rede estadual também deve leitos

Segundo a promessa feita pelo governador no dia 25 de março, a rede estadual deveria entregar 200 novos leitos.

O problema é que mais uma vez o número final não foi esse. Até o momento, são 152 novas vagas de internação, ou seja, 48 leitos a menos do que o prometido.

O problema é o mesmo em relação aos leitos na rede particular de saúde.

Dos 180 leitos que poderiam vir de contratos com hospitais privados, até agora, 128 estão funcionando. São 52 leitos a menos do que o prometido pelo governador.

Comitê científico do estado

Durante a coletiva desta tarde, o secretário de saúde também comentou sobre a criação de um comitê científico do estado para enfrentamento da pandemia.

O anúncio que também foi feito pelo governador Cláudio Castro, não contou com o aval do chefe da pasta da Saúde no Rio de Janeiro.

“Nem sabia. Não tenho vínculo com ninguém. Soube hoje, junto com vocês. Eu não participo disso. Não sei do comitê. Se é político ou não, eu sou técnico”, disse o secretário Carlos Alberto Chaves.

Tratamento precoce

A maioria dos especialistas que integram o grupo são a favor do tratamento precoce, com remédios que não têm eficácia comprovada, como informou o RJ1 nesta terça-feira (13). Eles farão um trabalho voluntário, segundo o governo.

Governo cria comitê contra a Covid com especialistas que são a favor do tratamento precoce

Governo cria comitê contra a Covid com especialistas que são a favor do tratamento precoce.

De acordo com o decreto que institui o comitê, revelado por uma reportagem de O Globo, os médicos têm o dever de “monitorar e avaliar o desempenho do SUS no âmbito do estado e elaborar recomendações à Subsecretaria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde”.

O infectologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edimilson Migowski, é o presidente do grupo. Ainda segundo a reportagem de O Globo, nas redes sociais, ele defende o uso do vermífugo nitazoxanida como tratamento prévio para sintomas da Covid.

Em 2020, o governo federal chegou a dizer que o remédio reduziria a carga viral em pacientes infectados. Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde informou à Câmara que decidiu não incorporar a nitazoxanida ao tratamento da doença.

Em nota, Migowski disse que existem vários fármacos comprovadamente seguros e eficazes no tratamento inicial dessa infecção, e que o grupo definirá que medicamentos deverão ser utilizados e vai orientar os médicos quanto ao tratamento de pacientes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselha o tratamento preventivo da Covid e afirma que a principal prevenção é com uso de máscaras, higiene das mãos e distanciamento social.

Até a publicação da reportagem o Governo do RJ não tinha se posicionado sobre a criação do comitê.

Fonte: g1.globo.com

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