Fernando Ferry pede demissão da Secretaria Estadual de Saúde nesta segunda

Fernando Ferry pede demissão da Secretaria Estadual de Saúde nesta segunda

RIO — A equipe técnica da Fundação Saúde, que assumiu a gestão da pandemia do coronavírus no Rio com a chegada do médico Fernando Ferry na Secretaria estadual de Saúde no início do mês, emitiu um relatório na semana passada desaconselhando a abertura dos cinco hospitais de campanha ainda em construção. A saída de Ferry da pasta, anunciada por ele em um vídeo nesta segunda-feira, dia 22, pode ter a ver com esta recomendação, segundo fontes no governo, que não teria visto com bons olhos o documento.

Entre os motivos elencados pela equipe está o fato de que a taxa de ocupação nos leitos de unidades das três esferas de governo no município do Rio apenas 1/3 está em uso. O documento, sem assinatura, aponta que especificamente para a Covid-19 a taxa de ocupação é de 37,58% dos leitos totais e 55,81% dos leitos operacionais; e que a ocupação de leitos na rede estadual é de 59,9% para UTI adulto e 56,7% para enfermaria adulto.

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O relatório da Fundação Saúde também informa que de um total de 2.272 leitos para o tratamento de pacientes com Covid-19, 854 estavam vagos até sexta-feira passada. Havia 209 vagas. E um total de 742 leitos impedidos – por falta de condições técnicas ou de pessoal.

“Considerando a possibilidade de uma segunda onda após a flexibilização, ainda assim podemos ofertar assistência à população com a ativação dos leitos que ora se encontram impedidos”, diz o documento.

O relatório também cita a fila de pacientes que aguardam por leitos em todo o estado: 68. Lembra que o custo mensal por recursos humanos por leito de UTI nesses hospitais de campanha é de R$ 437.780,82 e R$ 33.951,45 por leito de enfermaria. E que se todos eles estivessem em funcionamento o custo mensal seria de R$ 7.773.227.

“Considerando que se constatada a existência de medida alternativa ou subsidiária na implantação de política pública que seja mais econômica e adequada para a preservação do patrimônio, esta pode ser tomada de ofício pela administração”, diz outro trecho.

Por fim, a equipe técnica não recomenda a abertura dos outros hospitais de campanha. “Encaminhamos o presente documento para apreciação da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro e pronunciamento quanto ao exposto pois nesse sentido entendemos como não recomendada a abertura dos cinco hospitais de apoio restantes como leito para Covid-19 e a readequação dos hospitais já inaugurados à demanda atual da população”.

Dos sete hospitais de campanha que começaram a ser construídos para serem entregues no dia 30 de abril, apenas dois estão em funcionamento: o do Maracanã e o de São Gonçalo, ainda assim com muitos leitos ociosos. Somente no hospital do Maracanã são 331 leitos impedidos, 53 ocupados e apenas 12 vagas. O custo total para a construção dos hospitais estava orçado em mais de R$ 800 milhões.

Procurado, o Governo do Estado ainda não retornou.

Fonte: extra.globo.com

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