Moradores peregrinam atrás de álcool gel em Cabo Frio e Procon alerta sobre preço abusivo diante da pandemia de coronavírus

Moradores peregrinam atrás de álcool gel em Cabo Frio e Procon alerta sobre preço abusivo diante da pandemia de coronavírus
Comerciante diz que impacto nos preços de compra chega a 30%.

Moradores de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, estão peregrinando em busca do álcool gel 70% nas farmácias da cidade.

Comerciantes afirmam que estão encontrando dificuldades para repor os estoques e relatam que distribuidores já vendem o produto 30% mais caro.

Em entrevista, o Procon alerta sobre práticas de mercado abusivas envolvendo qualquer item de prevenção à epidemia, que ainda se tornam imorais diante do problema de saúde pública que o Brasil e o mundo estão enfrentando.

“Além da prática ser vedada pelo Código de Defesa do Consumidor é também imoral, pois o empresário que comete o ato, visando tão somente o lucro, prejudica as medidas de contenção e prevenção da nova doença. A meu ver é prática mesquinha e pequena por empresas, tanto fabricantes quanto revendedoras”, explica Mônica Bonioli, coordenadora do Procon em Cabo Frio.

Segundo Mônica, a prática ainda gera exclusão social.

“Impossibilita as pessoas mais pobres de se prevenirem também. É inadmissível que empresários se aproveitem de uma pandemia, do desespero das pessoas, para exorbitar nos lucros”, diz.

A professora Regina Ferreira percorreu três bairros atrás do álcool gel. Conseguiu um dos últimos em uma farmácia da Gamboa.

“São Cristóvão, Centro de Cabo Frio. Só encontrei aqui para levar para as crianças”, disse.

Fábio Oliveira chegou minutos depois e já não encontrou mais o produto.

“Deixei para a última hora. Vou voltar mais tarde, tentar, ver se resolvo isso”.

O vendedor Leonardo Motta explica que pela manhã colocou uma caixa de produtos na prateleira, mas o estoque acabou rápido. A procura foi tão grande que ele nem conseguiu tirar a segunda caixa de trás do balcão.

“Estava aqui no cantinho e nem deu tempo de colocar para fora, pois os clientes foram chegando e fui entregando”.

“Nunca pensei que ia vender tanto álcool gel na minha vida”, disse.

Difícil também para as farmácias

E não são apenas os consumidores que sofrem para encontrar o produto. Os donos de farmácias também estão enfrentando dificuldades de adquirir o produto nas distribuidoras.

As últimas unidades no estoque de Leonardo chegaram depois de muita procura. O vendedor afirma que eles ligaram para várias distribuidoras e só conseguiu o álcool gel em uma delas. E ele já paga mais caro.

“Nas distribuidores o preço já subiu na faixa de 30%”, explicou.

Em outra farmácia, a proprietária não teve a mesma sorte. Ela tentou comprar de várias distribuidoras mas sem sucesso. Em 20 minutos, durante a presença da reportagem no local, cinco pessoas entraram pedindo o produto, entre elas, duas crianças que haviam acabado de sair da escola.

“Todo hora vem gente e não tem. As indústrias fecharam o cerco quando começaram os casos suspeitos na região. Não estou conseguindo comprar com os distribuidores. E acho que a fiscalização deveria ser em todas as esferas, desde a indústria até as farmácias. Chegaram a me cobrar R$ 50 por uma máscara com válvula”, disse a comerciante, que preferiu não se identificar.

O Procon explicou que vai intensificar a fiscalização contra irregularidades e pede atenção dos consumidores.

“Pedimos aos consumidores que denuncie ao Procon, especialmente se tiverem guardado notinhas ou outras provas do valor anterior. Estaremos essa semana fiscalizando os estabelecimentos e instaurando procedimentos de multa às empresas infratoras, conforme código de Defesa do Consumidor, artigo 39, X”, disse Mônica.

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