Alegando perseguição, deputados vão à Justiça para deixar PSL no Rio

Alegando perseguição, deputados vão à Justiça para deixar PSL no Rio

Os oito deputados do PSL na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) que seguem fiéis ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), após a saída dele da sigla, pretendem alegar na Justiça que estão sofrendo perseguições políticas da atual direção da legenda e, desta forma, conseguir a desfiliação sem perder seus mandatos.

Com isso, os parlamentares esperam ficar livres para se filiar ao Aliança Brasil ou, caso o partido não esteja apto, ingressar em outra legenda sugerida por Bolsonaro, onde possam ser candidatos a prefeituras fluminenses. Os deputados Dr. Serginho e Filippe Poubel lideram a frente de deputados que acusam a direção estadual do partido de perseguição.

“O caminho é esse, vamos entrar na Justiça. Eu era da Executiva estadual até o mês passado, quando fui retirado, sem prévia consulta. Estão tomando decisões sem nos consultar. Nós, deputados, é que temos mandato e temos força. ‘Quem’ é o PSL sem o Bolsonaro?”, alfineta Poubel.

Dr. Serginho também afirma estar sendo perseguido.”Está claro o ato de perseguição porque não sucumbi à força dos traidores, ingratos e desleais ao Governo Bolsonaro. Vou pegar a desfiliação na Justiça, e caso o partido Aliança Pelo Brasil não esteja apto, serei candidato pelo partido que a família Bolsonaro indicar, com perfil de direita, conservador, que prega os valores familiares”, disse.

Por trás da fidelidade dos deputados a Bolsonaro, no entanto, há outra motivação: o medo de não conseguir um partido até abril —a data limite estipulada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)— para que possam se candidatar nas eleições deste ano. Se permanecerem no PSL, não devem ser lançados candidatos pelo partido, que rompeu com Bolsonaro.

Dr. Serginho se coloca como pré-candidato à Prefeitura de Cabo Frio, na Região dos Lagos, enquanto Poubel fala como pré-candidato à Prefeitura de São Gonçalo, na região metropolitana.

Gurgel sucedeu o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) à frente do PSL no Rio. A presidência nacional do PSL segue com o senador Luciano Bivar (PSL-PE) —o pivô da crise que culminou na saída de Bolsonaro.

Do PSL fluminense, oito parlamentares da bancada de 12 deputados da Alerj e mais oito que batem ponto na Câmara dos Deputados, em Brasília, se declaram incondicionalmente fiéis ao presidente da República.

Na página do Aliança pelo Brasil dedicada ao Rio, no Twitter, pode-se ter uma ideia de quais são os parlamentares que compõem o núcleo de confiança da família Bolsonaro em território fluminense.

Apesar de ter mais de 13 mil seguidores, o perfil segue apenas 30 pessoas (todos políticos). Entre eles, estão os deputados estaduais Renato Zaca, Márcio Gualberto, Anderson Moraes e Alana Passos. Completam a lista os deputados federais Hélio Lopes, Carlos Jordy, Daniel Silveira e Major Fabiana.

A expectativa é de que os parlamentares que seguirem no PSL passem a compor a base política do governo de Wilson Witzel, hoje no PSC. No entanto, o governador do estado já admitiu que há uma possibilidade de fusão entre os dois partidos.

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