Crianças com câncer escrevem livros para contar histórias sobre tratamento em hospital no Rio

Crianças com câncer escrevem livros para contar histórias sobre tratamento em hospital no Rio

Pacientes de 3 a 16 anos participaram da ação no Hospital da Criança. Além do tratamento médico, ação de pedagoga foi fundamental para recuperação dos jovens.

Crianças e adolescentes do Hospital da Criança (HEC), em Vila Vaqueire, na Zona Oeste do Rio, decidiram escrever um livro para contar as dificuldades e superações que tiveram durante o tratamento. Os novos escritores, de 3 a 16 anos, enfrentaram câncer e transplantes renal e hepático.

Leonardo, Adrielle e Kamilly, mesmo que tímidos, falaram sobre suas histórias e como foi a experiência de escrever um livro.

Leonardo Castro, de 12 anos, é flamenguista fanático e contou que nunca tinha pensado em ser escritor antes. Ele disse ainda que enfrentar sua doença foi difícil, mas conseguiu porque teve a ajuda dos familiares.

“No livro, eu falo sobre o tratamento. Foi muito difícil. Eu tive ajuda da minha família, da minha mãe, dos meus irmãos. Foi muito difícil escrever um livro. Nunca pensei em escrever um livro na minha vida”, disse  com voz rouca, no dia seguinte ao de uma vitória do Flamengo.

Fanática em jogos eletrônicos, Adrielle Almeida disse que descobriu sobre seu câncer enquanto mexia no celular da mãe. Ela afirmou que o processo é doloroso e, com um sorriso no rosto, falou que já superou a “pior parte”.

“Eu que descobri sobre a minha doença, ela [a mãe] não queria me contar porque eu ia ficar muito triste. Eu vi ela conversando pelo WhatsApp com o meu tio, vi a mensagem e descobri (…) Foi bastante difícil, foi triste. A pior parte para mim foi engordar e emagrecer. Mas eu superei, e é isso que importa”, contou.

Kamilly Silva Lopes, de 13 anos, sempre gostou de jogar futebol e torcer pelo Botafogo, time do coração. Depois de ter um inchaço no joelho, descobriu a doença. Agora, no processo final do tratamento, fica imaginando como seria dar um autógrafo pelo seu livro.

“Eu estava indo para a escola, e minha mãe disse que meu joelho estava inchado. Uma vizinha falou para me levar no médico. Quando eu bati o raio-X, o médico perguntou o que tinha no meu joelho. Minha mãe disse que não sabia e disse que eu jogava bola. E o médico disse que eu estava com câncer. Foi muito difícil, mas eu superei. Eu fico imaginando em casa para quem eu daria um autógrafo”, disse Kamilly.

Tia Elaine, pessoa mais importante no tratamento

Durante as entrevistas, os três pacientes destacaram o papel fundamental da “Tia Elaine”, pedagoga do hospital. Elaine Marques fez a orientação dos alunos no projeto para escreverem os livros. Ela contou que os pacientes se tornaram “filhos de coração”.

“Os três são muito importantes para mim. Eu chamo de pacientes-alunos, mas que viram filhos de coração. Mesmo que o tratamento acabe, e já está acabando, graças a Deus, eu fico muito feliz porque eles vão continuar sendo importantes para mim. Eu ouso dizer que eu aprendo muito mais do que eu ensino. A história deles ainda tem muitas páginas a serem escritas, que eles escrevam com sabedoria é muito amor”, afirmou a “famosa” Tia Elaine.

O diretor de qualidade do Hospital da Criança, Lúcio Abreu, afirmou que é importante o trabalho da pedagogia integrado com o tratamento. Para ele, o objetivo do projeto é dar oportunidade para que eles contem suas histórias.

“É o primeiro projeto que a gente desenvolve nesse sentido aqui na unidade. É muito importante que a gente deixe as crianças registrarem a experiência que elas tiveram. Não só mostrando o tratamento em si, mas registrando coisas que para a gente passou despercebido. A ideia desse projeto é dar oportunidade para eles falarem um pouco da sua história. Eles ficam felizes com isso”, afirmou o diretor.

Outras crianças também participaram da iniciativa. Em seu livro ‘Onde mora a alegria’, a paciente Letícia da Silva Melo, de 11 anos, descreve as experiências vividas no hospital no período de seis meses de internação.

“A alegria mora nas nossas lembranças, com todos os que amamos e todos que nos ajudam. Mesmo quando passamos por coisas difíceis, como quando eu comecei a usar máscara para me proteger de doenças, eu tive a ideia de pintá-las e decorá-las”, diz um trecho.

Fonte: G1

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